Postagens

TT-IP — Técnicas de Tradução Inglês-Português: Unidade 2.0: Decalque

  No decalque, traduzimos literalmente uma expressão de inglês, criando uma expressão nova em português. He ordered a hotdog. Pediu um cachorro quente. …onde os elementos da palavra inglesa foram traduzidos um a um para o português, criando o que – na época – era um neologismo. Muitas vezes, o decalque compete com um empréstimo: He ordered a hotdog. Pediu um hotdog. [Empréstimo] Pediu um cachorro quente. [Decalque] Outras vezes, o decalque simplesmente amplia o sentido e uso de algo que já existia na língua: They spent the weekend in Paris. Passaram o fim de semana em Paris. ...embora fim de semana seja uma construção óbvia e normal em português, seu uso especificamente como “O tempo decorrido, em geral, entre a noite de sexta-feira e a manhã de segunda, aproveitado para o descanso e o lazer” (Definição do Dicionário Aurélio) é decalque do inglês – como, aliás, diz o próprio dicionário. Em muitos casos, o decalque altera as relações sintáticas do original: Center-forwar

TT-IP — Técnicas de Tradução Inglês-Português: Unidade 1.0: Empréstimo

Leia primeiro as duas unidades anteriores, que estão aqui no blogue também. No empréstimo, também conhecido como importação, usamos em português a mesma lexia usada em inglês: He ordered a hotdog. Pediu um hotdog. …onde hotdog foi mantido em inglês. Por ser o início da escala, é um procedimento transicional, com um pé na tradução propriamente dita e outro na “não tradução”. Por isso, é muito criticado por aqueles que acham que o português tem palavras para tudo e que cabe ao tradutor achar a palavra portuguesa "correta" para o que quer que escreva. Na verdade, o empréstimo é usado tanto para preencher uma lacuna cultural ou linguística, como para adicionar um toque de exotismo à tradução, como também para emperiquitar o texto – e não podemos generalizar.   Há dois tipos de empréstimo: 1. Empréstimo simples. 2. Empréstimo com aculturação. No empréstimo simples , a lexia é usada exatamente como estava no original: He played as a back. Ele jogava como back. No empréstimo com acu

Portas ferradas

Tragicomédia tradutória em três atos e um epílogo. Os nomes foram trocados, mas a história é autêntica. Antigamente, não tinha Internet: a gente ia ao escritório do cliente. Dá para imaginar? E toda tradução vinha em papel. Dá para imaginar? E, nas tabelas, para reduzir custos e abreviar prazos, a gente não digitava os números, só o texto. O “pool” de secretárias do cliente passava tudo a limpo, no papel timbrado deles, copiando os números do original. Às vezes, o original vinha manuscrito. Isso tudo para introduzir uma história de que até hoje dou risada. Fui entregar a um cliente um serviço pronto, mas com uma dúvida. Um item, em um demonstrativo, me escapava ao entendimento: “portas ferradas”. Que raio é uma porta ferrada? Levei o serviço ao cliente, uma firma de auditoria, e comecei minha via crucis pelo gerente encarregado do serviço. Ato I: Dramatis personae:  Danilo Nogueira, Tradutor,  Genésio Gerente, Gerente de auditoria.  Cenário: sala de gerente de auditoria, papéis por tod

TT-IP — Téc-Trad Ing-Port. Unidade 0.1: Os Sete Procedimentos Fundamentais

Leia primeiro a Unidade 0.1: Introdução. 1. Empréstimo No empréstimo, também conhecido como importação, usamos em português a mesma palavra ou frase usada em inglês. He ordered a hotdog. Pediu um hotdog. …onde hotdog foi mantido em inglês. 2. Decalque No decalque, traduzimos literalmente uma expressão de inglês, criando uma expressão nova em português. He ordered a hotdog. Pediu um cachorro quente. …onde os elementos da palavra inglesa hotdog foram traduzidos um a um para o português, criando o que, na época, era um neologismo. 3. Tradução literal Na tradução literal, todas as palavras da português têm a mesma classificação morfológica das palavras correspondentes em inglês. He was reading a book. Ele estava lendo um livro. …onde o pronome vem traduzido por um pronome, o verbo por um verbo e assim por diante.  4. Transposição Na transposição, ao menos uma palavra do inglês é traduzida em português por uma palavra com outra classificação morfológica. He will eventually write a book. E

TT-IP — Téc-Trad Ing-Port — Unidade 0.0: Introdução

Ninguém – nem eu – gosta de ler introduções, prefácios, prólogos, prolegônenos, antelóquios e quejandos, mas esta aqui é curtinha – menos de 500 palavras – e útil. Por favor, leia. Este é um curso de técnicas de tradução. Escrevi pensando naquelas pessoas que sabem bem inglês e português, mas não estão satisfeitas com suas traduções. É um curso muito pé no chão, trato só do básico do básico. Quer dizer, não espere grandes digressões metafísicas sobre como algum sábio tradutor lidou com as metáforas dos sonetos de Shakespeare. Essas coisas têm grande valor, mas não são para o meu bico. Com este curso, espere aprender como lidar melhor com a tradução que você tem pela frente e precisa terminar logo porque tia Deddy(*) está batendo o pezinho com certa impaciência. A base deste trabalho são os sete procedimentos fundamentais de tradução descritos por J. P. Vinay e J. Darbelnet, (V&D, para nós) em Stylistique comparée du français et de l’anglais, publicado em 1958 pela Didier, em Paris

Quanto devo cobrar por minha tradução?

Se você entrar num grupo de tradutores na Internet para perguntar quanto deve cobrar por um determinado serviço, há uma bela chance de alguém te recomendar a tabela do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA, para os íntimos). É muito interessante. Se você perguntar onde está a tal tabela, o tio Gugu não vai te apresentar tabela nenhuma, mas sim uma página chamada “ Valores de referência ”.  Porque não existe tabela do SINTRA.  Por isso, ninguém, nem agência nem cliente final, é obrigado a pagar aqueles preços e raramente você vai encontrar quem pague aqui no Brasil. Mas, se você investir dois minutos de sua vida em ler a Carta Aberta , do próprio SINTRA, que acompanha a lista de valores de referência, vai ver o seguinte:  “A lista é somente uma referência; não uma tabela. Os valores da lista representam valores brutos, com impostos incluídos, ou seja, de trabalhos finalizados, revisados, e realizados por profissional sênior, não por iniciantes ou pessoas com dedicação eventual à áre

Laudas e páginas

Nada impede que você cobre (ou receba) por lauda. Aliás, nada impede que você cobre ou receba por baciada, sacola, barril, ou o que seja. Mas tenha em mente que: Não existe lei nenhuma, divina ou humana exigindo que tradução se cobre por lauda, salvo se for juramentada, caso em que o profissional é obrigado a cumprir o que a Junta Comercial de seu estado manda. Se você não é juramentado, essas disposições da JC não se aplicam a você. Tira isso de lauda da tua cabeça que não te faz bem. Deixei de cobrar por lauda ainda no milênio passado. Não me arrependo. Página e lauda são entidades diferentes. Uma página é uma página e uma lauda é uma lauda. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Páginas e laudas são como seres humanos: há-as de vários tamanhos. Cada uma das pessoas que cobra/recebe por lauda define a lauda de um jeito e acha que o seu jeito é o certo. A noção de lauda do seu cliente pode ser diferente da sua. Geralmente, a lauda dele é maior do que a sua. Uma página pode